Escritor cearense Maurício Mendes apresentou o romance “O homem não foi feito para ser feliz” na feira de Feira Literária do Ceará, em Paracuru
O escritor cearense Maurício Mendes marcou presença na Feira Literária do Ceará, que aconteceu na Praça do Farol, em Paracaru, nos dias 16 a 18 de abril, apresentando seu romance de estreia O homem não foi feito para ser feliz (Mondru, 184 págs.).
A narrativa acompanha a trajetória de Germano, um médico pardo cuja trajetória de ascensão social revela frustrações afetivas, cinismo e um profundo sentimento de inadequação diante de uma sociedade marcada por racismo, misoginia e hipocrisia. Narrada em primeira pessoa, a obra conta com textos de blurb e prefácio assinados pelo escritor Santiago Nazarian, segundo blurb por Evelyn Blaut, escritora, crítica literária e diretora do Centro Cultural Astrolabio e terceiro blurb da escritora Natércia Pontes.
Com estrutura fragmentada e não linear, a obra alterna passado e presente por meio de fluxos de consciência, diálogos e passagens oníricas. “Optei por um narrador-personagem falho e contraditório”, afirma o autor, que define sua escrita como “contemporânea, irônica, reflexiva, ácida e sensível”. A forma acompanha as fraturas internas do protagonista e evita idealizações.
O livro aborda solidão, masculinidade, mercantilização da saúde e racismo de maneira profundamente crítica. “Sim, trata-se de um romance com forte crítica social, mas não se reduz a isso. Sim, flerta com o sentido e a utilidade da existência, mas vai além. Sim, expõe as entranhas da fragilidade e da misoginia do homem moderno, mas não se resume a essa questão. E claro, é também, uma história de amor, mas nunca apenas isso.”, disserta Maurício, expondo a complexidade da narrativa.
Sobre o autor
Nascido em Fortaleza em 1970, Maurício Mendes é médico nuclear com mais de 25 anos de atuação na área. À margem da idealização, seu narrador revela as fissuras de um mundo onde o sucesso profissional não garante plenitude emocional — e onde a crítica social é, acima de tudo, uma busca por sentido. “Escrevo sobre temas que me são próximos, como a questão racial e a mercantilização da saúde, ou outros, tão distantes de mim que me causam assombro e fascínio.”
com.tato - curadoria de comunicação: jornalistas responsáveis: Karoline Lopes e Marcela Güther
